20/08/2009 - Sabe quando você usa todas as formas possíveis de comunicação com seus alunos, gasta uma quantia razoável da verba com isso e, ao perguntar no corredor sobre o assunto, ouvir que ele não tem idéia sobre o que você está falando? Pois é. Minha impressão é que isso vem se tornando rotina. Conseguir que os estudantes se interessem por determinado assunto é uma tarefa muito difícil.
Mais uma vez não tenho a receita de bolo. Já tentei de todas as formas possíveis e imagináveis conseguir isso, com vantagens e desvantagens, mas sem obter êxito .
A primeira forma, e a mais evidente, é o velho quadro de aviso. Este, mesmo sem a sua eficácia comprovada, ainda resiste ao tempo. A minha opinião é que, a cada dia, o aluno dá menos atenção a esse antigo recurso. Já fiz o teste: adesivamos todos os quadros de avisos das salas de aula de uma determinada IES, com um adesivo escrito em giz e fundo transparente. Durante um mês ficou lá. Ao pesquisarmos se os alunos tinham conhecimento da informação, a maioria respondeu que não.
A segunda ferramenta de comunicação com os estudantes é o sistema eletrônico de nota e frequência. Por acreditamos que os estudantes habitualmente visitam essa página, colocamos, ali, um banner eletrônico. Porém, o número de cliques nesses banners ainda era muito baixo. Podemos ainda listar, entre as tentativas eletrônicas de comunicação, banners na página da IES e e-mail-marketing para estudantes, todos sem resultado.
Para mim, a melhor alternativa quando o assunto é garantir que a sua mensagem seja de fato assimilada é a interação com os estudantes. Certa vez, tive de garantir que os estudantes de uma universidade ficassem a par do seguro educacional oferecido pela instituição. Não pensei duas vezes. Por mais que ficasse receoso de chocar a reitoria com a minha idéia, propus que se dependurassem promotores de venda pelos prédios. Isso mesmo, literalmente penduramos a mensagem. Os promotores faziam rapel até os estudantes, que se divertiam, e, curiosos, tratavam logo de saber qual era a mensagem. De fato, a ação despertou a curiosidade do público, mas mesmo assim a adesão ao programa do seguro foi baixa.
Há, também, um recurso que, inclusive, está se integrando ao leque de tentativas para passar uma mensagem aos estudantes: o bom e velho recado em sala de aula, mesmo que com esse recurso, você corra o risco de atrapalhar a aula, e ainda por cima há o risco de ruídos de comunicação o que impedirá que os alunos prestem atenção.
Provavelmente a melhor saída para o problema seria juntar todas as soluções apresentadas. E, por mais que você se esforce para isso ocorrer, ainda assim haverá estudantes ignorando as informações que você se esforçou tanto para transmitir. No entanto esse fato deve ser considerado como uma boa lição: afinal nem todos os assuntos são de interesse geral. Por mais que a instituição acredite que a informação seja de extrema importância para o estudante, ele só vai dedicar um instante de sua atenção, àquela informação que ele julgar ser do seu interesse.
Tório Barbosa |